Acho que ainda não caiu direito a ficha, mas sinto que abandonei 200 amigas... Não necessariamente 200, mas umas 150 sim!
Como foi fácil me apegar a essas mulheres de vida sofrida, sotaque nordestino carregado, costumes e culturas tão diversas; mas acima de tudo lutadoras, guerreiras, mulheres de fibra, espelhos pras nossas vidas, exemplos a serem seguidos. Minhas mulheres, como costumava chamá-las, minhas meninas também, o que fazia seus olhos brilhar... Como uma menina com uma tatuagem no braço e calça jeans podia reconhecer nelas um desejo de meninas, uma vontade moleca, uma ânsia tão ingênua?
Pude reconhecer tudo isso e muito mais. Tenho a sensação de que fiz meu trabalho, mas tenho a sansação de que levarei muito mais do que deixei e isso não me agrada tanto. Fico imaginando se não poderia ter dado mais de mim, se não poderia ter tido mais paciência, mais ouvido, mais carinho... Fico pensando...
Uma delas, hoje, saiu emburrada da sala e foi chorar em outra sala e ñão tinha Cristo que a fizesse sair de lá e vir falar comigo. Parecia uma criança rejeitada. Fui até ela e sem levantar o rosto falou: "Nunca mais quero gostar e me apegar a ninguém... Por que, todo mundo que eu gosto, me dá um pé na bunda?" Minha vontade era chorar junto mas não pude.
Tenho essa mania de sempre ter que ser forte, sempre ter que me bancar pra poder bancar os outros, e mais uma vez fiz isso. Choro agora, escondida, sofrendo na frente do computador a dor de perdê-las. O que pude dizer à minha mulher é que pessoas entram e saem das nossas vidas e que temos alma e coração para poder guardá-las dentro de nós. Foi isto que eu pude dizer... Só isso!
Acho que nunca esquecerei o fato de ter aprendido muito mais do que ensinei. Nunca poderei retribuir o carinho, a emoção, a confiança depositada, a amizade que essas mulheres sentem por mim. Nunca será suficiente o que poderei oferecer... É tão maior que eu...
Meu alento será a produção de um livro sobre as histórias de vida de algumas dessas mulheres. É o que posso e quero fazer por elas. Dar voz a essas guerreiras é o que me dará um pouco de alegria, já que elas serão abandonadas mais uma vez. Serão abandonadas, agora, pelo governo que acabará com o programa que elas pertencem. Quem as ouvirá? Onde terão voz? Como irão se expressar? Eu quero poder facilitar essa comunicação com o resto da sociedade, da comunidade. Quero que elas se sintam importantes, cidadãs, respeitadas e reconhecidas; e vou fazer isso!
Para vcs terem idéia do que eu perdi, abaixo segue um poeminha que um dos grupos leu na minha despedida:
Amizade "Amizade tem 7 letras de sensibilidade. Quando alguém nos diz que quer ser nossa amiga, ali é selada uma grande amizade. A amizade é uma dádiva que poucos conseguem conquistar. Amiga é a coisa mais importante que Deus nos deu. Quem realmente se importa por uma amizade, consegue avaliar o preço que só uma amiga pode aguentar. Amiga é aquela que escuta seus problemas, seus lamentos, e suas dificuldades e também aquela que consegue enxergar em você suas qualidades que ninguém mais consegue ver. Ela chora, ri, conta fofoca, sofre com você em todas as horas. Ah, amiga... Não sei o que seria de mim sem você!"
Escrito por LUA às 21h59
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