Não aguento mais minha mudez, ou repetir escritos dos outros.
Isso não se deve ao fato, absolutamente, de não ter o que dizer, mas de não conseguir dizer.
Tenho a nítida sensação de que me afastei de mim;
não dos meus ideais, do meu trabalho ou da minha família e amigos,
mas de mim.
Quero falar de mim, dos meus sentidos, sentimentos, loucuras vividas (sempre); quero falar do(e) eu.
Percebo que estou racional, muito racional, e nem mais a terapia tem me ajudado a sair deste ambiente.
Minha cabeça avoa, avoa pro hoje, pros problemas, pro trabalho, pros projetos não realizados, pras metas não cumpridas.
Não avoa pras férias, pros desejos, pras felicidades...
Avoa pra razão, pro descontrole, pra perda de referências e pra longe de mim.
Preciso de mim, do meu eu, dos meus sentidos plenos.
Chega de angústia, só angústia, depressão e stress.
Cadê a vida, aquela por quem sempre clamei e declamei?
Cadê a minha vida?
Cadê eu?
Escrito por Kaká às 22h53
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