Sempre escolhi jogar o jogo da vida na posição de atacante; não aquele dessas épocas que fica na banheira esperando a bola chegar e simplesmente fazer o gol, mas um das outras épocas que sai do meio de campo, dribla, passa a bola, recebe de volta, tabela, cabeceia, mas, que mesmo assim, às vezes, o gol não sai.
O lance dessa minha posição era ir atrás da bola, atravessar o campo e driblar o adversário, tabelar com os companheiros de time e com grande sorte e esforço fazer o gol.
Porém, a graça não era de fato fazer o gol, mas o processo de ir para o ataque.
Como todos os atacantes a idade foi chegando e as dores musculares, problemas no joelho e afins também. Tive que escolher outra posição para jogar caso não quisesse encerrar minha carreira.
De uns tempos pra cá foi essa a decisão que tomei... Tô jogando na retranca: time incompleto, técnico louco, companheiros machucados, desfalque!
Jogando atrás, na defesa, esperando o ataque para dar tempo de pensar e defender sem fazer falta, sem fazer pênalti... Esse é o truque que aprendi: esperar a bola vir, os adversários ganharem força com a corrida, esperá-los dar a primeira dica e eu tirar a bola deles, eu desarmá-los!
Desarmá-los sem pressa, com técnica, com clareza, com destreza e enfim ter a bola nos meus pés.
E então recomeçar a jogada, e se estiver bem preparada, tentar um lançamento pro meu camarada e comemorar o gol de uma jogada ensaiada.
Escrito por Kaká às 21h03
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